O INVENTOR

Pegue o liquidificador, misture teatro, cinema, tv, literatura, uns outros ingredientes e…voilá.

Todo carnaval tem seu fim…

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Ainda bem!

Written by Marcos M.

February 16, 2015 at 11:44 am

No abismo prateado

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Com certo atraso, acabo de assistir ao incrível O Abismo Prateado, filme de 2011, com uma atuação primorosa da Alessandra Negrini.
O filme fala sobre o fim de um casamento, mas, acima de tudo, fala sobre a dor. Por telefone, o marido liga para a personagem da Alessandra Negrini e fala que ela o consome e que ambos afundariam em um abismo, caso continuassem juntos. “Eu não te amo mais. Eu não te amo mais. Eu não te amo mais”, repete ele enfaticamente três vezes. São punhaladas seguidas no peito de uma esposa cujo maior crime era amar.
Desnorteada, essa mulher se perde na madrugada carioca, completamente perdida. Busca conforto nas ondas do mar de Copacabana, nas ruas, no Santo Dumont, atrás de um voo para ir ao encontro do marido. Um reencontro que nunca acontece.
Volta e meia, a vida nos puxa o tapete. Do nada, o caos vem como um tufão que chega sem pedir licença e sem aviso prévio. Volta e meia, o inesperado acontece, para medir nossa capacidade de lidar com um cotidiano enfadonho.
Ao longo de 1h30m, prevalece o silêncio. Quase não há diálogos no filme, só o barulho da cidade, a antítese perfeita para o calar dessa mulher perdida em si mesma.
Viva Alessandra Negrini! Viva o cinema nacional!

Written by Marcos M.

February 11, 2015 at 8:17 pm

O silenciar das vozes

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Uma das cenas mais marcantes para mim está em um filme chamado Hotel Ruanda, já viram? Lá pelas tantas, um grupo extremista invade a casa do personagem principal, com a brutalidade de um tufão que passa sem deixar vestígios, faz ajoelharem duas irmãs e manda a mãe escolher qual das duas ela quer deixar viver. Se não escolher, ambas morrem.
“ESCOLHA!”, eles vociferam.
A mãe, aos prantos, se joga ao chão, implorando clemência, até que tudo se fez silêncio.
Aquele tiro me acertou.
Uma realidade que parece, para muitos, estar restrita a cenas em filmes está, na verdade, batendo à porta de nossas casas, invadindo também sem pedir licença.
Recentemente, tenho me sentido assim.
O ódio estampa as notícias nos noticiários internacionais, nossos olhares se voltam à tragédia na França, mas negligenciam o terror na Nigéria.
Das 276 nigerianas sequestradas pelo Boko Haram no ano passado, apenas 50 escaparam, enquanto as outras continuam desaparecidas. 226 mulheres, escravizadas e torturadas. As cenas estão aí, é só procurar: mães indo às ruas, implorando para terem suas filhas de volta. “Bring back our girls”, dizem os cartazes escritos com lágrimas, revolta e esperança.
Mais assustador ainda é ver uma mulher-bomba com 10 anos de idade. Menina-bomba.
Dizem que o massacre da última semana matou 2 mil pessoas. O governo, em documento oficial, reporta apenas 150 mortos. Não importa. O pragmatismo, que tenta sempre quantificar a barbárie em números e em estatísticas, faz com que percamos de vista a marca humana. Como dói.
Na tradição africana, os griots são ancestrais contadores e cantadores de histórias passadas. No seu canto triste, ecoam as vozes daqueles que nunca foram ouvidos.
Nessas semanas, assim como o silêncio anterior ao tiro que matou as irmãs no filme, eu também tenho silenciado.
Pelo Charlie Hebdo.
Pela França.
Pelas pessoas que não entendem que preconceito não é liberdade de expressão.
Pela África esquecida por todos nós.
Às vezes, meus amigos, quando as palavras nos faltam, quando as bombas cessam e os tiros deixam de ecoar, é preciso ouvir o silêncio que diz muito.
Calemos.
Lutemos.

Written by Marcos M.

January 16, 2015 at 9:14 am

But first…

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Insta(ntes): um documentário bem bacana sobre o fenômeno das selfies. Utilidade pública, galera. Vale assistir.

Insta(ntes) from Henrique Félix on Vimeo.

Written by Marcos M.

January 6, 2015 at 6:07 pm

Posted in documentário, movies

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O seu santo nome

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Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda a razão ( e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo essa palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

Drummond, aquele que sempre fala por todos nós

Written by Marcos M.

January 2, 2015 at 7:03 pm

Porque Sondheim é Sondheim

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Podem ter certeza, meus amigos: para cada momento da sua vida, Stephen Sondheim, o gênio, vai ter uma composição que expresse o que você está sentindo. Incrível. Palmas!

Written by Marcos M.

December 30, 2014 at 1:46 pm

Haiku de ano-novo

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Haiku* de ano-novo:

No eco dos fogos
Os olhares se encontraram
Sumiram no vento

(MM)

* forma curta de poesia japonesa geralmente caracterizada por 17 sílabas (5-7-5) e por se basear numa analogia de que faz parte algum elemento da natureza.

Written by Marcos M.

December 30, 2014 at 11:34 am

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