O INVENTOR

Pegue o liquidificador, misture teatro, cinema, tv, literatura, uns outros ingredientes e…voilá.

Les Mis 30 anos

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Quando o elenco original se encontra com o atual em um medley das minhas músicas favoritas. É de levantar e aplaudir.

Written by Marcos M.

February 2, 2016 at 8:59 am

O sono da memória

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Não há problema em publicar o “Mein Kampf” do Hitler, cujos direitos de edição recém caíram em domínio público. O livro interessa a historiadores e estudiosos da psicologia de massa e a qualquer pessoa curiosa sobre o poder das suas ideias, um poder capaz de galvanizar uma nação e mudar radicalmente a sua história. Eu só acho que as novas edições de “Mein Kampf” deveriam vir com um DVD encartado, com cenas dos cadáveres empilhados e dos moribundos esquálidos descobertos em Auschwitz e outros campos de extermínio, no fim da Segunda Guerra Mundial. Cenas terríveis dos esqueletos das cidades bombardeadas e dos milhares de refugiados tentando sobreviver em meio aos escombros, enquanto o mundo ficava sabendo, nos julgamentos dos criminosos, das barbaridades cometidas em concordância com a Kampf do Hitler. Assim, o comprador do livro teria o nazismo como teoria e o nazismo na prática. As ideias e suas consequências.

Seria bom se as ideias viessem sempre acompanhadas de suas consequências. As pessoas pensariam melhor no que dizem e pregam, para não terem remorso depois. Já se disse que muitas barbaridades teriam sido evitadas no mundo se existisse algo parecido com o remorso antes do fato, uma espécie de remorso preventivo. Não se imagina o próprio Hitler se arrependendo das suas teses e, diante dos horrores que elas desencadearam, dizendo “Ei, pessoal, não era nada disso!”. Está claro que no cerne patológico da pregação de Hitler há uma volúpia de destruição, um desejo secreto de caos que tem tanto a ver com o romantismo alemão quanto com a geopolítica da época. Mas outros não têm o mesmo motivo para desprezarem as consequências. Ou para esquecerem-se delas.

Naquela famosa legenda de uma gravura do Goya está escrito que o sono da razão cria monstros. Pior que o sono da razão, Goya, é o sono da memória. As pessoas que hoje defendem a volta da ditadura militar no Brasil esqueceram-se de como foi. Esqueceram-se das prisões arbitrárias, das torturas, do terror e dos assassinatos de Estado, da censura, do número de estrelas nos ombros como única credencial para governar. Se não lhes falta memória, lhes falta razão. Ou miolos.

O Jair Bolsonaro, principal proponente da volta à ditadura, é o deputado mais votado do Rio. Tem uma multidão de apoiadores. E tem mais do que isso: na recente mudança no Comando Militar do Sul, Bolsonaro foi um convidado especial do novo comandante para a cerimônia de posse. Não se sabe se o comandante também é um nostálgico como ele. De qualquer maneira, tenho tido longas conversas com a minha paranoia, tentando acalmá-la.

(Luís Fernando Veríssimo. O Globo, 31/01/2016)

Written by Marcos M.

February 1, 2016 at 10:41 am

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Paris não é uma festa!

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Excelente matéria da Piauí deste mês, desconstruindo o imaginário construído por Hemingway acerca de Paris. Para ler, é só clicar aqui.

Até mais! ;)

Written by Marcos M.

January 27, 2016 at 12:28 pm

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Casamenteiro

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Tenho um pavor nesta vida, além de sites que começam a tocar música no automático: pessoas que me pedem informações na rua. Fico tenso quando sou pego de surpresa e, mesmo que eu saiba, acabo dizendo tudo errado. Acho que é pior quando me perguntam o trajeto do que quando me perguntam as horas. Eu falo: bem, vire à direita…não, esquerda, ou melhor, segue em frente toda vida. É o que eu sempre falo: segue em frente toda vida. É a melhor resposta. Em algum momento, a pessoa vai perceber que não dá pra seguir toda vida e vai pedir informação de novo. Ufa, me livrei.

Hoje, eu até acho que a minha fobia social fez nascer o amor. Acompanhem.

Ele era um americano típico quando no Rio: chapéu branco, rosa de um sol mal tomado, camisa branca e, claro, havainas.

(Aliás, se eu lançar uma campanha contra o uso de sungas e havaianas pela rua, quem me acompanha?)

Ela era a carioca também típica quando no verão do Rio: bolsa de praia, óculos besourão cobrindo metade do rosto e cabelos ao vento, tipo propaganda de Pantene.

Eu estava andando pela rua, amaldiçoando o tempo que fez chover assim que eu coloquei meus pés para fora de casa, quando, de repente, no Starbucks, sou abordado por esse sujeito, quase me matando de susto. Num português macarrônico aprendido sabe-se lá como, ele “me perguntar se eu saber onde ficar o metrô”.

Claro que meu instinto me disse para ele seguir em frente, mas paralisei- até porque, se ele seguisse em frente toda vida, ia parar numa favela, pensei depois.

De butuca na conversa, estava essa outra-menina-praeira-aleatória-da-mesa-ao-lado, que veio ao meu socorro.

Tal qual um GPS ambulante, a menina era o próprio Waze, fiquei besta. Explicou, articulou, desenhou e, no fim, lançou um “estou indo pra lá, vamos juntos?”.

E fiquei largado com meu café e meu muffin de banana, observando os dois se perderem pelas ruas nubladas. Ele pediu para levar a bolsa dela e a conversa pareceu engatar, pois os dois eram só sorrisos.

Em tempos de Tinder, acabei unindo um casal de maneira improvável.

E, aparentemente, os dois seguiram mesmo em frente toda vida.

Written by Marcos M.

January 2, 2016 at 1:29 pm

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Engavetado

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A cinco dias do final de 2015, um ano sombrio, é hora de colocar em prática aquele velho ritual que acompanha as tradições: arrumar gavetas. No meu caso, sempre meço meus anos pelas pilhas e mais pilhas de papéis que saem das minhas gavetas. Contas que eu nem lembro de ter pago, bilhetes apaixonados, cartões de aniversário, mensagens padronizadas de lojas tentando me conquistar- e conseguindo. Enfim, tudo se perde no meio da avalanche de informações que eu, apegado que sou, vou engavetando pra sempre. “Vai que um dia eu preciso”. Respirei fundo, tomei coragem e fui.

Nesses pequenos grandes espaços, está parte do meu passado. Ao abri-los, começo uma viagem proustiana pela minha memória. Inicialmente, saltou uma chuva daqueles malditos papéis azuis do Redeshop, alguns até já desbotados. (Aliás, meta para 2016: só pedir a segunda via em ocasiões especiais). Pouco a pouco, fui reencontrando com histórias que ficaram para trás. Ou nem tanto. “Quem me deu mesmo esse cartão?”. “Eu sabia que tinha guardado isso em algum lugar!”. Nisso, a pilha de saco de lixo vai ficando mais cheia. Serve? Não. Lixo! Rasga daqui, rasga dali.

Organizar a gaveta é, no fundo, organizar a nossa vida. E olha que colocar esses móveis no lugar dá trabalho. É tipo estar de mudança e empacotar sua vida em caixas. Começo uma lista das inúmeras coisas que preciso fazer, que vão desde o aprender russo até sentar pra bater um papo com o Woody Allen. Acho que dá.

É estranho e engraçado como as pessoas deslocam para a chegada de um novo ano todas as suas expectativas que, no fundo, deveriam ser pensadas diariamente. 5,4,3,2…feliz ano velho!

Olhando aqui papéis esquecidos, fotos amareladas, contratos vencidos, chego a uma única conclusão: em 2016, comprarei um baú.

Written by Marcos M.

December 26, 2015 at 12:59 pm

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Sobre distopias adolescentes

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Ótima, ótima, ótima análise da Tatiana Feltrin, do canal Tiny Little Things, sobre YAs. Vale assistir.

Written by Marcos M.

December 13, 2015 at 9:29 pm

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Banalidade do Mal

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Com vocês, Hannah.

Written by Marcos M.

December 12, 2015 at 10:33 am

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