O INVENTOR

Pegue o liquidificador, misture teatro, cinema, tv, literatura, uns outros ingredientes e…voilá.

Esquecimento

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O corredor era longo e largo; de alguma forma, era diferente do que eu havia imaginado. O tom claro no azul das paredes e a iluminação fria das lâmpadas davam ao todo uma atmosfera tranquila e suave. A enfermeira, além de jovem, demonstrava uma seriedade dócil e, muito gentilmente, se ofereceu para me acompanhar até o quarto.
Tudo era silêncio, a não ser pelo ecoar de nossos passos. Calado, aproveitei o caminho para pensar. Paramos subitamente.
– O quarto 23, é aqui. Pode entrar quando o senhor quiser. Ela já tomou banho. Se precisar de algo, pode me chamar.
Olhei para ela, fiz um gesto com a cabeça e agradeci com o olhar. Parei em frente à porta, à medida que o caminhar da enfermeira se tornava apenas um leve som que emergia em meio ao silêncio ao meu redor.
Bati, meramente por cortesia, mas a porta estava entreaberta.
Quando entrei, havia uma senhora sentada na poltrona diante da janela, de costas para mim.
– Com licença…
Sem expressar nenhum movimento, lancei um breve olhar ao redor do quarto, devidamente arrumado, mas sem muitos móveis. As cortinas eram floridas- ela sempre me dissera que a primavera era a sua estação favorita- e os lençóis eram de um vinho claro. Na mesa, um jarro de flores que traziam um perfume de jasmim e um caderno que esboçava alguns rabiscos aleatórios.
Aproximei-me devagar.
– Mãe?
Eu tinha chegado de viagem naquela manhã e aquela era a primeira vez que eu a via depois de ter me mudado para o exterior.
– Sou eu, mamãe.
Ajoelhei-me diante dela e pronunciei essas palavras como que em um sopro. Não tive resposta. Seu olhar continuava perdido no horizonte, como se sonhando com a liberdade. Reparei que estava com o cabelo penteado para o lado, como sempre gostou, e um vestido de cetim. Lembrei-me de quando era criança e ficava observando, enquanto ela se arrumava, sempre muito vaidosa, em frente ao espelho da sala. Senti saudades daquele apartamento, agora perdido pelas esquinas empoeiradas do passado. Como envelhecera.
Percebi que azul inigualável do olhar dela, quase como que de repente, se encontrou com o meu. Após um breve silêncio, ela se aproximou de mim e, sussurrando, fez um apelo singelo:
– Eu quero ir para casa. Ligue para o meu filho, por favor?
Por um breve instante, éramos dois desconhecidos. Ela não se lembrava mais de mim. Minha vontade era explicar que, sim, eu estava ali, que aquela casa com a qual ela sonhava não existia mais, que éramos só nós dois, que eu a amava.
Minha memória começou a se materializar diante de mim e o passado, em borrões, foi se fazendo presente. Olhei para o criado-mudo e vi uma foto antiga da família. Era o natal de 92, eu acho. Estávamos todos reunidos na antiga casa de Teresópolis e foi o ano em que meus pais me deram minha primeira bicicleta. Nossos pais fazem isso, aliás. Seguram o guidão até chegar a hora de tirar as rodinhas e nos deixar seguir em frente. Seguram nossas mãos na hora de atravessar a rua. E a vida.
Na juventude, minha mãe fora bailarina. Sempre se lembrava com carinho de quando dançou a sublime morte do cisne, n’O Lago dos Cisnes. Era hora de a bailarina sair de cena. Sentei-me aos seus pés, respirei fundo, enquanto ela me olhava ansiosamente. Escondi a lágrima tímida que queria escorrer em meu rosto.
– Em breve, você vai para casa. Não se preocupe. Seu filho já vem, fique tranquila.
Ela esboçou um sorriso tão sincero, que, nele, cabia o mundo.
Encostei minha cabeça em seu colo, como quando eu era criança e ela me contava histórias. Era a minha vez de fazer um pedido a ela.
– Conte um pouco do seu filho… A senhora parece gostar muito dele.
Ali, eu soube que, de alguma forma, ela se lembrava, pois amor de mãe ultrapassa qualquer barreira do esquecimento.
Da janela, os raios de sol entravam timidamente.
Era um novo dia.

MM, agosto de 2015

Written by Marcos M.

August 26, 2015 at 3:53 pm

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Um papo sobre diversidade

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Quando eu era moleque, sempre fui diferente das demais crianças. O sinal do recreio tocava e, enquanto todos corriam e gritavam enlouquecidamente, eu pegava um livro qualquer que estivesse lendo e me mandava para o meu local secreto, o jardim da escola, onde eu podia sentar e, diante da minha pequenez grandiosa, observar o mundo. E, claro, ser levado para tantos outros mundos imaginários nas páginas amareladas que eu carregava- às vezes, em segredo-, pelos corredores. Volta e meia um mico me visitava, curioso para saber se estava tudo bem e com interesses escusos de roubar um pouco do meu lanche.
Se me perguntarem, acho que foi ali que começou a sina que me acompanharia até a vida adulta: observar as pessoas e, por meio das palavras, tentar dar um certo tipo de sentido ao que eu pensava. Nunca consegui, que fique claro.
A questão é que, nessas leituras, uma das histórias que mais que chamou atenção foi a jornada do patinho feio, do Andersen- não necessariamente pela sua feiura, mas pelo seu sentimento de incompreensão diante do mundo. Um cisne deslocado entre patos. É, era isso. Eu era mesmo atrapalhado. Logo cedo, lutei contra um sério problema de saúde, sendo internado às pressas duas vezes; mais tarde, minha coluna me fez enfrentar longas e longas jornadas de fisioterapia. Hoje, adulto, olho pra trás e penso em inúmeras coisas que eu gostaria de dizer ao pequeno e assustado Marquinhos. Se eu tivesse que escolher, eu diria: bola pra frente e cabeça erguida, garoto, vai ficar tudo bem.
Jamais pude imaginar que, apesar da timidez crônica, eu seria tragado para dentro da sala de aula e, anos e anos depois, com uma caneta na mão e uma ou outra coisa a dizer, aquele menino que lia escondido no recreio continuaria tentando a fazer com que as pessoas se expressassem por meio das palavras.
Tudo isso para dizer que ver minha página do Facebook toda colorida, lotada de amigos discutindo e celebrando a diversidade sexual me deixa profundamente emocionado. Sigo em frente, respirando fundo e tomado por uma leve certeza de estar no caminho certo. Neste mundo de cabeça pra baixo em que vivemos, quando menos se espera, percebe-se uma brisa suave que, quem sabe, indica a chegada de novos tempos e de uma nova estação.
Muitas vezes, dizem que não somos bons o suficiente.
Muitas vezes, dizem que a cor da nossa pele define quem somos.
Muitas vezes, dizem que o nosso peso define a nossa beleza.
Muitas vezes, dizem que ‘o meu Deus é melhor que o seu’.
Muitas vezes, dizem quem podemos ou não amar.
Muitas vezes, dizem que somos estranhos. E eu sei bem disso.
A todos que, infelizmente, já ouviram algum discurso de ódio, digo o mesmo que diria a mim mesmo anos atrás.
Bola pra frente e cabeça erguida.
Vai ficar tudo bem.

Written by Marcos M.

June 27, 2015 at 1:03 pm

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Eu sou do tamanho que vejo

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Da minha aldeia veio quanto da terra se pode ver no Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura…
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.

Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Alberto Caeiro, um dos muitos Fernandos

Written by Marcos M.

June 16, 2015 at 11:43 am

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Sobre amor e outras coisas

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“Duvides de que as estrelas sejam fogo, duvides de que o sol se mova, duvides de que a verdade seja mentira, mas não duvides jamais do meu amor”, diz Hamlet para Ophelia, em um dos meus momentos favoritos da literatura universal. Na semana do dia dos namorados- pausa para olhar pra cima-, nada mais justo do que pensar nesses personagens que deram sua vida para amar. Fantine, n’Os Miseráveis, leva seu amor pela filha ao leito de morte; os românticos eternizaram seu sofrimento em sonetos e mais sonetos no século XIX; Romeu lutou contra o ódio para ficar com sua amada Julieta.
Aliás, é nessa mesma Florença recriada por Shakespeare que está uma das belas histórias de amor dos nossos tempos. Li um texto uma vez que me chamou atenção para algo bem interessante. Alguém se lembra de uma personagem chamada Rosalind, em Romeu e Julieta? Pois é, nem eu. Pasmem: Rosalind existe, está lá no texto e era namorada de Romeu antes de ele ser arrebatado à primeira vista por Julieta, no baile de máscaras. Que destino trágico: Rosalind foi uma personagem criada para ser esquecida- por Romeu e por todos nós. Simples assim. Nasceu já pronta pra morrer.
Falar desse sentimento é tão difícil, porque algumas feridas ficam abertas. Reparem só que, quando as pessoas falam sobre isso, sempre usam termos bélicos: eu venci, eu lutei, eu sobrevivi. É uma guerra pessoal. (In)felizmente, algumas marcas ficam conosco e levamos adiante, claro. Faz parte dessa brincadeira perigosa chamada viver.
Há aqueles que amam de forma exclamativa: vão, dizem, arriscam vivem tudo intensamente e mergulham de cabeça e saem com um arranhão ou outro, com a certeza de que fizeram tudo.
Há os que amam em silêncio e sofrem, muitas vezes assombrados pela dúvida do “E se?” que vem junto de um amor interditado.
Há aqueles amantes pacatos, que, na sua discrição, são capazes de caminhar uma vida- e uma eternidade- juntos.
Há aqueles que não têm seu amor respeitado pelos outros ou reconhecido pela sociedade. E sofrem calados, marginalizados nos subsolos na alma.
Há o Amor de uma mãe por um filho, cuja força é capaz de ultrapassar qualquer fronteira. “Ninguém sabe o poder de uma mãe em exercício de saudade”, disse Mia Couto.
A questão é que poucos reconhecem a força que um “eu te amo” tem. É tão forte, que não deveria sequer ser dito, muito menos banalizado. É um segredo. É um sopro que pode, quando menos se espera, se transformar em um tornado que tira tudo do lugar.
Amar desperta o ridículo em nó; estou com Fernando Pessoa nessa. Todas as cartas de amor são ridículas e, se há amor, têm mesmo que ser ridículas, sem se esgotar na espera eterna por uma mensagem que não chega ou um telefone que não toca.
“Afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas”. Obrigado, Fernando.
Neste dia 12, portanto, meus amigos, lutemos pelo que acreditamos e, claro, sejamos ridículos.

Written by Marcos M.

June 9, 2015 at 7:49 pm

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Para Clarice

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Tenho andado meio taciturno e recluso, ecos da minha própria fragilidade humana diante da finitude e reflexo dos tempos sombrios em que vivemos. Sinto-me meio Perseu, tentando evitar de olhar nos olhos da Górdona Medusa e ser transformado em pedra, diante do horror da nossa essência. Olhar nos olhos de Medusa é como um olhar para dentro de si mesmo e se chocar com a brutalidade em sua forma mais primitiva- daí a petrificação.
Tenho buscado refúgio- ou mais inquietações- em uma das escritoras a quem, infelizmente, não fui apresentado, mas que, incrivelmente, me compreendeu como ninguém: Clarice Lispector. Mergulhado de cabeça em sua obra, entre papéis amarelados, leituras esquecidas e entrelinhas pulsantes, percebi que esses escritos, sob a forma de contos, crônicas, novelas e romances, nos colocam frente a frente com o que há de mais íntimo em nós mesmos. E isto é o que mais assusta: é visceral. Separei por conta própria grifos meus de entrevistas ou dos textos ligados a ela e compartilho com vocês; afinal, é tempo de pensar.
“Há algo de que eu tenho medo. Acho que eu tenho medo do futuro. Sempre tive, realmente.” (correio da manhã, 1972)
“…a luta pela sobrevivência entre mistérios. E o que o ser humano mais aspira é tornar-se um ser humano.” (uma aprendizagem ou livro dos prazeres)
“Muito elogio é como botar água demais na flor. Ela apodrece. (…) Morre”. (O Pasquim, 1974)
“O processo de viver é feito de erros- a maioria essenciais- de coragem e preguiça, desespero e esperança de vegetatitiva atenção, de sentimento constante (não pensamento) que não conduz a nada, não conduz a nada, e de repente aquilo que se pensou que era ‘nada’- era o próprio assustador contato com a tessitura do viver.” (a descoberta do mundo)
“Eu acho que, quando não escrevo, estou morta. (…) É muito duro o período entre um trabalho e outro e, ao mesmo tempo, necessário para haver uma espécie de esvaziamento da cabeça, para poder nascer alguma outra coisa. E se nascer…é tudo tão incerto!” (Panorama Especial, com Júlio Lerner, em 77)
“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever e nasci para criar meus filhos.” (As três experiências, crônica de 68)
“O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.” (Não entender, crônica de 69)
“Mas uma amizade sincera queria a sinceridade mais pura. À procura desta, eu começava a me sentir vazio. (…) Amizade é matéria de salvação.” (uma amizade sincera)
“Quando eu procuro demais um ‘sentido’- é aí que não o encontro. O sentido é tão pouco meu como aquilo que existisse no além. O sentido me vem através da respiração, e não em palavras. É um sopro.” (Esboço para um possível retrato)

*
A Clarice, o meu obrigado.

Written by Marcos M.

June 7, 2015 at 10:49 am

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Vasto mundo

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O mundo da pequena Clara era composto por sons e cores que se misturavam pelo ar e se transformavam em poesia. Ao acordar naquela manhã chuvosa de domingo, a menina não sabia o que estava à sua espera; olhou ao redor de seu quarto, tão familiar e tão estranho ao mesmo tempo, viu as bonecas de pano adormecidas na parede, o laço do vestido saltando do armário entreaberto, a luz da manhã querendo entrar tímida pela janela e vencer a escuridão. Lá de fora, ouvira a casa ganhando vida, com a mãe preparando o café na cozinha, o irmão descendo correndo pelas escadas e o pai reclamando nas notícias que lia no jornal.
Fechou os olhos mais uma vez e se lembrou de uma episódio engraçado que acontecera no começo da semana, quando a professora lançou um tema no quadro.
“O que você quer ser quando crescer?”
À sua volta, todos os seus colegas de sala pareciam ter muita certeza. Escreviam, escreviam e escreviam. Entre médicos, advogados e engenheiros, o lápis de Clara congelou ao encostar no papel e nada lhe veio, a não ser o pensamento de que queria ser ela mesma. As palavras eram tão misteriosas para ela, que não conseguia encontrar a forma certa de dizer o indizível.
Quem sou eu?
O som forte da chuva trouxe a menina de volta ao seu quarto e, ao abrir a janela, viu que a tempestade se misturava a alguns raios de sol, trazendo um colorido inédito ao seu jardim, palco de tantas brincadeiras de princesas em perigo, nas mãos de piratas impiedosos. Chuva e sol, casamento da raposa com o rouxinol.
Sem que ninguém a visse, Clara abriu a porta do quarto, desceu as escadas e, pelos fundos, foi para o jardim. Respirou fundo, tomou coragem e colocou o pé para fora. Pela primeira vez, a pequena sentiu a água cair em sua pele e se sentiu livre, parte daquilo tudo. Os sons se misturavam em uma perfeita sinfonia e as cores vibravam, como em uma tela. Encharcada por prazer e curiosidade, dizem que, naquele instante de uma manhã qualquer de domingo, ela descobriu o que queria ser quando crescesse e riu, riu como nunca antes. Naquela instante, ela ganhou o mundo. E a si mesma.

Written by Marcos M.

May 31, 2015 at 5:48 pm

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O dia seguinte

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Ninguém nunca sabe quando será a última vez que estará junto da pessoa amada. Quem dera soubéssemos quando seria o último abraço, o último beijo o último eu te amo. Ocorre quando menos se espera; a vida vem, nos dá uma rasteira e tira tudo do lugar.
O dia 11 de setembro de 2001, por exemplo, começou como outra manhã qualquer. Pais, mães, filhos, netos saíram de suas casas direto para o coração de Nova Iorque, onde, dali a algumas horas, os aviões se chocariam aos prédios do World Trade Center.
Em um instante, tudo mudou.
“Pai, eu estou no 101o andar e uma bomba explodiu. Estamos todos presos aqui e não sei o que fazer. Eu…eu te amo muito.”
“Jill, eu estou no 90o andar, eu te amo, meu amor. (chorando) Não sei se eu vou ficar bem; diz pra Nicole que eu a amo….Cuide dela por nós.”
Assim como essas, são inúmeras as mensagens deixadas nas secretárias daqueles que não faziam ideia do que aquela manhã traria- todas elas com o mesmo objetivo: dizer o último eu te amo.
Eu me lembro bem de quando você foi embora. Eu soube na hora. Cheguei em casa à noite do escritório e não vi sua caneca favorita na pia da cozinha. Não vi seu quadro favorito no chão. Percebi que, na estante, a sua coleção de DVDs havia sumido. Percebi sua ausência nos pequenos detalhes.
Sentei-me no sofá e fiquei parado durante horas. Lá fora, o barulho no bares me dizia que o mundo não parara de girar por minha causa. Que pena. Desde sempre, eu soube que o dia seguinte seria o pior dia. Achar que você ainda estaria lá, que ainda me atenderia de manhã, que teríamos um ao outro. Mas ele veio.
Decidi me deitar no chão e ouvir o silêncio que a chegada sorrateira da madrugada me traria aos poucos. Olhei para a parede e vi que uma foto nossa tinha ficado; a do dia do casamento do meu irmão. Nossa, como você estava linda. Um passado emoldurado que não existia mais.
Puxei pela memória e me lembrei. Nosso último abraço. Engraçado, né? Foi na noite anterior, quase que automático. “Boa noite.” “Boa noite.”
Adormeci.
Acordei no dia seguinte com o sol me dando um tapa no rosto. Achei ter sonhado, mas sua ausência ainda estava lá, me sufocando. Respirei fundo e tomei coragem. Apoiei meus braços fracos no chão e me levantei. Era hora. De recomeçar, de crescer, de viver.
Já disseram “eu te amo”? Já disseram “não podem viver sem você”, já? Planejem, sonhem, esperem. E de vez em quando, parem e olhem à volta. Tudo pode se desmoronar no dia seguinte.

Written by Marcos M.

May 17, 2015 at 3:37 pm

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