O INVENTOR

Pegue o liquidificador, misture teatro, cinema, tv, literatura, uns outros ingredientes e…voilá.

Haja amizade

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Dizem por aí que hoje é dia do amigo. Tudo bem que a lógica da amizade ficou um pouco deturpada depois de as redes sociais terem facilitado a tal da síndrome de 1 milhão de amigos: adiciona, marca, bloqueia. Amizade é outra coisa. Muitos acham que amigo é aquele que tem que falar o que a gente quer ouvir. Nada disso, cara pálida. Amigo não é aquele que passa a mão na nossa cabeça. Ao contrário. Amigos nos instigam, nos provocam, nos inquietam. E também nos acalentam a alma, claro. Tenho a sorte de ter amizades de longa data, de tempos imemoriáveis. Amizade boa mesmo é aquela que, independentemente do tempo, já parece existir antes de mesmo ser, transpostas as barreiras espaciais e temporais.

Há os amigos de infância, que sabem todos os podres de quando brincávamos de pique no play ou tentávamos roubar nos jogos de tabuleiro. E essas histórias nos perseguem pela vida. Há amigos de colégio, que estão conosco nos primeiros flertes e que nos dão os ombros na primeira rejeição amorosa ou na primeira nota baixa em matemática; muitos se perdem ao longo da vida, mas preservam o doce sabor do passado. Há os amigos de faculdade, que, em muitos casos, se tornam amigos de bar. Hum. Há os de trabalho, que se reúnem no happy hour para falar mal do chefe. Há quem tenha, nos pais, os melhores amigos. Ou em um animal. Lampião, meu gato, foi um grande companheiro. Saudades, meu amigo. Aliás, sorte daqueles que, ao longo do caminho, entrecruzam suas trajetórias com alguém disposto a dividir o fardo das derrotas e os louros das vitórias. Haja camaradagem. Haja leveza. Haja amizade!

Written by Marcos M.

julho 20, 2017 at 12:14 pm

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O álbum

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Foi de repente. Abri uma caixa velha, guardada lá nos recônditos do armário mais inacessível da casa e me deparei com inúmeros álbuns de fotografias. Aliás, taí um dos pequenos grandes prazeres que a geração Z jamais terá, junto com rebobinar VHS ou entrar uma linha cruzada no meio da ligação: revelar fotos e juntá-las em álbuns. Hoje vivem todos nas nuvens. Fotografias são fragmentos emoldurados do nosso passado, de festas, viagens e pessoas que ficaram para trás. Juntas, formam um mosaico já amarelado das nossas vidas e das histórias que escrevemos. A festa de formatura do C.A. O casamento dos seus pais. Aquela viagem para a Disney. A gente registra os grandes eventos, é claro. Mas a vida também se constrói nas pequenas coisas do cotidiano: o almoço de domingo, as primeiras palavras de um filho ou uma conversa informal e sonolenta no café da manhã. Aos poucos, pessoas e sentimentos transmutam-se no amálgama de nossa memória e, por vezes, se perdem nesse caldeirão. Nossa, lembra desse dia? Quem olha pra essa foto nem imagina o perrengue que foi pra chegarmos aí. Você estava tão linda nesse vestido, parece que foi ontem. Segui escavando pelos álbuns e vi uma foto com uma dedicatória do meu pai. Ao filho amado e estudioso Marcos, do velho pai. Senti saudades do meu pai. Senti saudades do que vivi, do que não vivi e da vida que não conseguiu ser capturada por todas aquelas imagens. Fechei os álbuns, guardei-os de volta no fundo do armário, como um tesouro escondido ou uma pérola no oceano. Olhando pela janela, respirei fundo e, inesperadamente, sorri.

(julho/2017)

Written by Marcos M.

julho 9, 2017 at 5:33 pm

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Querido Evan Hansen

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Quando uma nova obsessão teatral chega, chega com força. Não me lembro de ter me envolvido tanto com uma peça desde Next to Normal, em 2009. Dear Evan Hansen tem um score incrível, um book de uma sensibilidade ímpar e atuações impecáveis. Ben Platt, quero ser seu melhor amigo!

Written by Marcos M.

julho 9, 2017 at 11:24 am

Dica de filmes

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Ninguém pediu, mas eu quero indicar mesmo assim. Nos últimos dias, assisti a três dos melhores filmes que vi recentemente:

* Sexo, Pregação e Política (Aude Chevalier-Beaumel, 2016): Discute a onda conservadora que vem tomando conta da política brasileira no que concerne, principalmente, às questões de gênero. Inquietante, incômodo e preocupante. No final, ainda conta com participação mais do que relevante do camarada Luiz Antônio Simas. Preparem o estômago. Onde encontrar? No Net Now. Eis o trailer: https://www.youtube.com/watch?v=eNV0ouu4Nqs

* Divinas Divas (Leandra Leal, 2017): Emocionante, engraçado e, acima de tudo, humano. A delicadeza do olhar da Leandra para a vida dessas artistas travestis é ímpar. Belíssimo trabalho documental, resgata com honestidade e competência essas histórias de memória e de resistência. Onde encontrar? Está em cartaz nos cinemas do Grupo Estação, não percam. Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=HxahJR71wJY

* O experimento de Milgram (Michael Almereyda, 2015): Quando induzidos e estimulados, os homens são capazes de cometer tortura em nome de um discurso maior? O filme mostra os experimentos praticados pelo psicólogo Stanley Milgram, figura bastante controversa nos anos 60. O cara fez uma série de pesquisas inspiradas no Holocausto para discutir como a paixão pela instrumentalidade é capaz de produzir uma subjetividade obediente e sem potencial crítico, levanto à tortura. Filmaço! Onde encontrar: Netflix. Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=V6z-0L-fQKI

Peguem a pipoca, aproveitem as temperaturas de inverno e bons filmes!

Written by Marcos M.

julho 5, 2017 at 9:07 pm

Uma bala corta o ar

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Quanto tempo uma bala leva para viajar pelo ar? Na tarde de sexta passada, uma bala cortou o ar e mudou a vida de Claudinéia dos Santos Melo, grávida de 9 meses. Num piscar de olhos, uma bala rasgou o espaço-tempo na Favela do Lixão, em Duque de Caxias, e atingiu a barriga de Claudinéia. A moça, a caminho do mercado, não mais do que repente, foi submetida a uma cesariana de emergência. Em um instante, o castelo de cartas que sustenta nossas vidas pode desmoronar com um sopro. O tiro atravessou o quadril da mãe e atingiu o Arthur, que já nasceu paraplégico. Chorei quando soube desse caso. Chorei pela Claudinéia, que segue internada no CTI, em estado grave. Chorei pela vida ao Arthur, que poderia ter tido um caminho diferente. Chorei, porque a dor dessa mãe não chega nas páginas dos jornais. Chorei, porque a dor que a velocidade de uma bala pode causar é impossível de ser calculada pela física. Chorei, porque, no fundo, a bala que atingiu a Claudinéia foi a mesma que me atingiu também.

Written by Marcos M.

julho 3, 2017 at 2:57 pm

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Sorri

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Smile, do Chaplin, é uma das minhas músicas favoritas na vida. Tão singela, tão delicada. É uma daquelas melodias que você cantarola pela rua ou em momentos difíceis. Na mensagem da letra, um imperativo: sorri. Minha maior alegria foi ter descoberto, ao acaso, a música na versão desta moça, cantora que perdeu completamente a audição aos 18 anos, devido a um problema de saúde. E pasmem: não desistiu e seguiu cantando, guiando-se pela vibração (!) que as notas fazem. Que mulher! Mandy, obrigado, muito obrigado. E a vocês, meus amigos, um pedido: sorriam mais pela vida. No final das contas, é isso o que mais importa. Com vocês, a maravilhosa Mandy Harvey.

Written by Marcos M.

junho 10, 2017 at 5:18 pm

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Beatriz

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Na minha humilde opinião, uma das músicas brasileiras mais bonitas já feitas. Viva Chico!

Written by Marcos M.

junho 10, 2017 at 8:37 am

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